No cenário de transformação tecnológica que marca o setor de saúde no Brasil, iniciativas lideradas por startups têm ampliado o acesso à informação, prevenção e cuidados especializados. Em Palmas, um grupo de empreendedoras vem se destacando com o desenvolvimento do Vitalio App, projeto voltado à democratização de informações e tratamentos para saúde respiratória.
O movimento ocorre em um ambiente de crescimento expressivo do ecossistema de startups no país. De acordo com levantamento recente do Sebrae, o Brasil ultrapassou a marca de 20 mil startups ativas, registrando aumento superior a 30% entre agosto de 2024 e agosto de 2025. Dados da Abstartups apontam que mais da metade dessas empresas (53,1%) já se encontra em fase de operação ou tração, enquanto 15,4% atuam em escala. A maior parcela, porém, permanece nos estágios iniciais de desenvolvimento.
Outro indicador da maturidade do setor é a adoção de tecnologias avançadas. Pesquisa nacional mostra que 53% das startups brasileiras já utilizam inteligência artificial em suas operações e 31% desenvolvem novos produtos baseados na tecnologia. Esse avanço abre oportunidades para soluções inovadoras em áreas como saúde, agronegócio, educação e finanças.
Vitalio App: de ação solidária à healthtech em expansão
Criado durante a pandemia, o Vitalio nasceu com o objetivo de devolver às pessoas a segurança de respirar melhor, por meio de um método próprio de fortalecimento pulmonar. O que começou como uma iniciativa solidária evoluiu para um modelo estruturado de cuidado respiratório, resultando em uma tecnologia capaz de acompanhar a evolução dos usuários de forma personalizada.
A trajetória da startup é marcada pelo empreendedorismo feminino. Formada por três sócias, a Vitalio mantém governança baseada em transparência, rigor fiscal e desenvolvimento de produtos alinhados às diretrizes legais e às práticas ESG. A equipe conta ainda com o suporte de consultorias especializadas.
Para Estela Kanashiki, sócia fundadora, a consolidação do projeto está diretamente ligada à gestão clara.
“Está muito atrelado à cultura que criamos na empresa. Temos uma trajetória transparente, as partes fiscais estão sempre em dia, todos os produtos nascem em conformidade com as diretrizes legais e, atualmente, estamos trabalhando para que já venham nascidos dentro das normativas ESG”, afirmou.
Parcerias e expansão
O avanço da Vitalio tem sido impulsionado por parcerias estratégicas com instituições de ensino, hospitais e centros de pesquisa. Segundo Estela, a equipe está em diálogo com empresas juniores, Afya, Hospital Universitário de Araguaína e Universidade FACIT para estudos e testes de novos produtos. A startup também mantém conversas com o Hospital de Amor de Barretos e com o laboratório de tecnologia do Hospital Sírio-Libanês.
Mesmo diante da crescente concorrência no setor de healthtechs, a Vitalio sustenta seu posicionamento em um princípio fundamental: soluções centradas nas pessoas.
“Acreditamos no nosso propósito como real diferencial — de fazer a saúde ser de fato para todos. Quando pensamos em qualquer solução, ela estará sempre centrada na pessoa. Sabemos que não estamos sós e que as parcerias nos fortalecem”, completou Estela.
Reconhecimento e presença internacional
A startup acumula participações e premiações em programas de inovação. Entre os reconhecimentos estão: Inova Cerrado, Inovativa Brasil, Prêmio Sebrae Mulheres de Negócios – Ciência e Tecnologia e Fast Motion. A Vitalio também é finalista do Prêmio FINEP de Inovação da Região Norte.
Em busca de ampliar conexões e explorar novas frentes tecnológicas, a equipe esteve presente no Web Summit Lisboa, uma das maiores conferências de tecnologia do mundo. A startup concentra agora esforços no lançamento de uma nova versão do aplicativo e na consolidação de sua atuação sustentável.
—

