Em assembleia realizada nesta sexta-feira (7), os profissionais da Educação de Araguaína decidiram, por unanimidade, manter a greve até que o projeto do novo Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração (PCCR) da categoria seja votado na Câmara Municipal.
A decisão foi tomada após reunião entre representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Tocantins (Sintet) e a gestão municipal. O encontro contou com a presença do líder do prefeito, vereador Professor José da Guia, da secretária de Educação, Marzonete Duarte, do secretário executivo da pasta, Railon Borges, da Procuradoria da Câmara, além de diretores do Sintet e outros professores da rede municipal.
Categoria rejeita contraproposta
Durante a reunião, a prefeitura apresentou uma contraproposta de ajustes no texto do PCCR, mas a categoria manteve posição contrária às alterações. Segundo a presidente do Sintet Regional de Araguaína, Rosy Franca, a proposta “não atende às reivindicações da categoria e fere de morte a valorização da classe trabalhadora”.
“Não estamos satisfeitos, é uma proposta que desrespeita a valorização profissional. O prefeito enviou um projeto construído por uma empresa sem representatividade pedagógica. Houve alguns ajustes, mas nada que mude o cenário. É provável que o PCCR vá para votação na segunda-feira, e estaremos todos acompanhando”, afirmou Rosy.
Os professores seguem mobilizados e devem comparecer em peso à sessão da Câmara Municipal, prevista para a próxima semana, quando o projeto deve ser analisado pelos vereadores.
Governo defende equilíbrio financeiro
O prefeito Wagner Rodrigues (União) afirmou que o novo PCCR não reduz salários atuais nem retira direitos adquiridos, mas ajusta o crescimento salarial dos futuros concursados para torná-lo mais compatível com a capacidade financeira do município.
Atualmente, as progressões podem chegar a até 50% de aumento cumulativo por titulação — especialização, mestrado e doutorado — o que, segundo a administração, gera distorções e pressiona a folha de pagamento.
Dados da Secretaria de Educação indicam que, até setembro deste ano, o município aplicou R$ 143 milhões na área, enquanto os repasses do Fundeb somaram R$ 141 milhões, obrigando o uso de recursos próprios do Tesouro Municipal. Hoje, os 768 professores efetivos representam cerca de R$ 8,5 milhões mensais, aproximadamente 20% do total da folha de pagamento.
Entenda o que está em debate
O projeto em análise propõe uma reestruturação completa da carreira do magistério. O texto mantém o salário-base alinhado ao piso nacional e cria duas gratificações principais:
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Gratificação de Difícil Acesso (GDA): 3% do piso nacional para docentes que atuam em áreas rurais ou de difícil deslocamento;
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Gratificação de Incentivo Profissional (GIP): 10% para especialização, 25% para mestrado e 30% para doutorado — atualmente, o aumento é de 50%.
O plano garante progressão horizontal a cada três anos, mas condiciona parte dos reajustes à avaliação de desempenho e disponibilidade orçamentária.
O texto também prevê o pagamento de abonos salariais com sobras do Fundeb, respeitando o limite de 70% de aplicação dos recursos em remuneração. Além disso, abre a possibilidade de servidores com carga horária de 20 horas optarem pela ampliação para 40 horas semanais, conforme disponibilidade financeira e necessidade da rede.
Enquanto aguardam a votação, os professores mantêm a paralisação e prometem novas mobilizações na próxima semana em defesa de um plano que, segundo o Sintet, “valorize de fato a carreira e o compromisso de quem faz a educação pública de Araguaína acontecer”.

