Sexta-feira, 2 de janeiro de 2026
Economia

Polícia Civil indicia fiscal da Adapec por assédio sexual e perseguição contra estagiária em Araguaína

Polícia Civil concluiu inquérito e encaminhou o caso ao Ministério Público; Corregedoria-Geral do Estado também foi comunicada para apuração administrativa

A Polícia Civil do Tocantins, por meio da 26ª Delegacia de Polícia de Araguaína, concluiu as investigações e indiciou um fiscal de defesa agropecuária, identificado pelas iniciais A.S.R., de 44 anos, pelos crimes de assédio sexual, importunação sexual e perseguição (stalking). As condutas teriam sido praticadas contra uma estagiária de 27 anos no segundo semestre de 2024, em uma unidade da Agência de Defesa Agropecuária (Adapec), no município.

Conforme apurado no inquérito policial, o investigado teria se aproveitado da posição hierárquica para constranger a vítima no ambiente de trabalho, com comentários reiterados de cunho sexual e ofensivo. Entre as falas atribuídas ao servidor constam declarações sobre submissão feminina e relatos de práticas sexuais supostamente ocorridas dentro da repartição pública.

As investigações indicam ainda que, em uma das ocasiões, o fiscal teria tocado o cabelo da estagiária sem consentimento e feito comentário de duplo sentido, provocando constrangimento e desconforto. Após a vítima relatar os fatos aos superiores, o comportamento do investigado teria se tornado intimidatório, com abordagens agressivas no local de trabalho e atos de perseguição fora do expediente.

Um dos episódios relatados ocorreu em outubro de 2024, quando a estagiária percebeu que estava sendo seguida ao sair do trabalho. Diante da situação, ela mudou o trajeto e buscou abrigo até receber auxílio de colegas.

Durante as diligências, a Polícia Civil também localizou na mesa de trabalho do investigado objetos como calcinhas e lubrificante, considerados incompatíveis com o ambiente profissional e que reforçaram os indícios de conduta inadequada no exercício da função pública.

O inquérito ouviu a vítima, o supervisor do setor e diversas testemunhas. Com base nos elementos reunidos, o servidor foi indiciado pelos três crimes, cujas penas, se somadas, podem chegar a até 10 anos de prisão. O procedimento foi encaminhado ao Ministério Público do Tocantins, que analisará a adoção das medidas cabíveis na esfera penal. A Corregedoria-Geral do Estado também foi comunicada e poderá instaurar processo administrativo, com possibilidade de sanções disciplinares, incluindo demissão.

O delegado titular da 26ª Delegacia de Polícia de Araguaína, Luís Gonzaga, destacou que a investigação seguiu critérios técnicos para assegurar a apuração dos fatos. A Polícia Civil do Tocantins reafirmou ainda o compromisso com o enfrentamento à violência contra a mulher e ressaltou a importância da denúncia para que crimes dessa natureza sejam investigados conforme a legislação.