O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou a execução do despacho da ministra Cármen Lúcia no processo que envolve a influenciadora Karol Digital, acusada de comandar um esquema de jogos de azar que teria movimentado cerca de R$ 217 milhões no Tocantins.
Nos últimos dias, o sistema do STF registrou várias movimentações na Reclamação 86.837, que corre sob segredo de Justiça. Entre 4 e 6 de novembro, a Secretaria Judiciária do Supremo confirmou o envio de ofícios eletrônicos ao juiz da 1ª Vara Criminal de Araguaína e à Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (DEIC) de Palmas, em cumprimento ao despacho da ministra.
Em decisão datada de 3 de novembro, Cármen Lúcia determinou que as duas autoridades prestassem informações detalhadas, em até 48 horas, sobre o andamento do inquérito que resultou na prisão de Karol Digital, de seu namorado Dhemerson Rezende Costa e da mãe Maria Luzia Campos de Miranda.
A defesa alega que o processo segue em segredo de Justiça mesmo após o oferecimento da denúncia, e que há restrições indevidas de acesso aos autos — o que violaria a Súmula Vinculante 14, que assegura ao advogado o direito de consultar integralmente os elementos da investigação.
“Oficie-se ao juízo da Primeira Vara Criminal da comarca de Araguaína/TO (...) e à Primeira Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado de Palmas/TO (...) para, no prazo máximo de quarenta e oito horas, prestar informações pormenorizadas sobre o alegado na presente reclamação e elucidar os fundamentos pelos quais se restringiria a ciência plena dos dados pretendida pela defesa”, escreveu a ministra em trecho do despacho.
Conforme o sistema do Supremo, três comunicações ofícios nº 23232, 23237 e 23349/2025 foram assinadas e remetidas às autoridades tocantinenses entre os dias 4 e 5 de novembro. Agora, o STF aguarda as respostas oficiais para decidir se houve ou não abuso ou violação de garantias da defesa.
Operação Fraus
Karol Digital está presa desde 22 de agosto, quando foi alvo da Operação Fraus, deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério da Justiça.
A influenciadora e outros três acusados respondem por organização criminosa, lavagem de dinheiro e exploração de jogos de azar.
De acordo com o Ministério Público, o grupo simulava ganhos em apostas do tipo “Tigrinho” para atrair apostadores e movimentou mais de R$ 200 milhões em contas pessoais e empresariais.
O caso segue sob análise do STF, que agora monitora o cumprimento das ordens expedidas e a entrega das informações requisitadas às autoridades do Tocantins.

