Durante os 90 dias em que o governador Wanderlei Barbosa esteve afastado por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o Tocantins enfrentou um dos períodos mais delicados de sua recente história política. Em meio à instabilidade e a intensas movimentações de bastidores, o presidente da Assembleia Legislativa do Tocantins (ALETO), Amélio Cayres, exerceu papel central para conter avanços que poderiam levar a uma ruptura institucional.
Pressões por impeachment não avançaram na Assembleia
Diversos grupos políticos, incluindo lideranças estaduais e federais, defenderam publicamente que a crise só seria solucionada com a abertura de um processo de impeachment contra o governador afastado. A prerrogativa de instaurar o processo, no entanto, pertence exclusivamente ao presidente da ALETO.
Apesar das pressões relatadas pela imprensa regional, tanto internas quanto externas, Cayres optou por não colocar o pedido em pauta. A decisão se baseou na avaliação de que o processo judicial ainda estava em curso e que o Parlamento não deveria atuar de maneira precipitada, sob risco de aprofundar a instabilidade política.
Independência do Legislativo durante governo interino
Com a posse temporária de Laurez Moreira como governador interino, novas articulações surgiram com o objetivo de obter apoio legislativo para a abertura do impeachment. A Assembleia, naquele momento, se tornou peça-chave no tabuleiro político.
Segundo fontes políticas, Amélio foi procurado e pressionado a alinhar a Casa ao comando interino. Caso tivesse aderido, a maioria dos deputados poderia acompanhar sua decisão, criando um ambiente favorável ao afastamento definitivo de Wanderlei Barbosa.
No entanto, o presidente da ALETO manteve a posição de independência institucional, evitando que o Legislativo fosse utilizado como instrumento para interferir no curso do processo judicial.
Decisão influenciou desfecho da crise
A escolha de não avançar com o impeachment contribuiu para esvaziar o movimento político que buscava a remoção definitiva do governador. Dias depois, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal formou maioria de votos a favor do retorno de Wanderlei Barbosa ao cargo, consolidando sua permanência.
Para analistas políticos, o equilíbrio demonstrado pela Assembleia durante o período crítico permitiu que as instituições do Estado seguissem funcionando e que o processo fosse concluído pelos canais jurídicos apropriados.
Cayres se fortalece como liderança política
A atuação de Amélio Cayres durante a crise consolidou sua imagem como liderança de diálogo e estabilidade. Sua condução à frente da ALETO é apontada como decisiva para que o Tocantins atravessasse um dos momentos mais sensíveis de sua política recente sem ampliar tensões ou comprometer o funcionamento democrático.

