A possibilidade de o policial civil Hélio Pereira Marques assumir o comando da Secretaria da Cidadania e Justiça (Seciju) tem provocado reação contrária entre integrantes da Polícia Penal do Tocantins. Nos bastidores, a categoria demonstra insatisfação com o nome ventilado e articula movimentos para tentar barrar a eventual nomeação. Atualmente, Marques ocupa o cargo de secretário executivo da pasta.
De acordo com policiais penais ouvidos pela reportagem, o descontentamento começou a ganhar força após a circulação de informações de que o secretário executivo estaria sendo cotado para assumir a chefia da Seciju. A avaliação interna é de que a indicação não representaria mudança na condução da política da área, nem atenderia às demandas consideradas prioritárias pela corporação.
Entre os principais pontos levantados pela categoria estão problemas administrativos que, segundo os policiais, persistiram ou se intensificaram durante o período em que Hélio Marques atuou como ordenador de despesas e secretário executivo. São citados atrasos frequentes no pagamento de diárias, indenizações acumuladas, plantões extras sem previsão de quitação e a ausência de avanços em pautas consideradas estratégicas para a Polícia Penal.
Os policiais penais afirmam que a possível nomeação simbolizaria a continuidade de uma gestão avaliada internamente como pouco efetiva diante do cenário enfrentado pela corporação, que inclui déficit de efetivo, sobrecarga de trabalho, aumento da demanda e unidades operacionais em situação considerada crítica.
Diante desse contexto, representantes da categoria dizem rejeitar a indicação e afirmam ter encaminhado um apelo ao governador Wanderlei Barbosa, solicitando que a escolha para o comando da Seciju leve em consideração o diálogo com a Polícia Penal e o compromisso com soluções estruturais para o sistema prisional e socioeducativo.
O receio, segundo os policiais, é de que a confirmação do nome de Hélio Marques possa aprofundar a insatisfação interna e impactar ainda mais o funcionamento de um sistema que já opera sob pressão.
Até o momento, o Governo do Tocantins não confirmou oficialmente a nomeação para o comando da Seciju.

