Sexta-feira, 2 de janeiro de 2026
Política

Greve dos professores de Araguaína continua sem acordo e mobiliza categoria na Câmara

Apesar da paralisação, a Prefeitura comunicou o retorno às aulas nesta segunda

A greve dos professores da rede municipal de Araguaína entrou em mais uma semana sem avanços nas negociações. Nesta segunda-feira (3), os profissionais da educação voltaram a se reunir em frente à Câmara Municipal, em ato de protesto contra o novo Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração (PCCR) do magistério, enviado pelo prefeito Wagner Rodrigues (União Brasil) ao Legislativo.

Aulas retomadas pela Prefeitura

Apesar da paralisação, a Prefeitura anunciou o retorno das aulas na rede municipal a partir desta segunda-feira. Em comunicado divulgado nas redes sociais, o município informou que “as escolas municipais vão funcionar normalmente” e que “haverá aulas para todas as crianças”.

Ainda segundo a nota, a Secretaria da Educação montou equipes e organizou o atendimento para garantir o funcionamento das unidades escolares. “Alguns professores optaram por aderir ao movimento do sindicato. Mesmo assim, a Secretaria da Educação garantiu equipes e organização para manter o atendimento sem prejuízo às famílias e aos alunos”, diz o texto.

Sindicato aponta pressão sobre contratados

De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação no Tocantins (Sintet), a rede municipal de Araguaína tem menos de mil professores concursados e cerca de quatro mil contratados. O grande número de vínculos temporários, segundo a entidade, tem influenciado diretamente na adesão ao movimento grevista.

“A quantidade de contratos impacta na mobilização, pois muitos profissionais têm medo de perder o emprego e acabam indo às escolas pressionados pela gestão. É por isso que surgem informações desencontradas sobre a greve. Mas entre os professores efetivos, cerca de 99% aderiram ao movimento, exceto aqueles que ocupam cargos de confiança”, afirmou a presidenta do Sintet Regional de Araguaína, Rosy Franca.

O sindicato reforçou que a greve continua e que a categoria permanece unida na luta pelo cumprimento dos direitos e pela valorização dos profissionais da educação.

Entenda o motivo da paralisação

O impasse teve início após o envio do novo PCCR do Magistério à Câmara Municipal. O projeto, segundo o Sintet, representa “um ataque direto aos direitos e à valorização profissional”, ao modificar pontos considerados essenciais, como progressão funcional, gratificações e incentivos à formação continuada.

No dia 21 de outubro, dezenas de professores ocuparam o plenário da Câmara em um ato de resistência, pedindo a revisão do texto e maior diálogo com o Executivo.

O que prevê o novo PCCR

A proposta enviada pelo Executivo reestrutura toda a carreira do magistério municipal. O texto mantém o salário-base alinhado ao piso nacional e cria duas novas gratificações:

  • Gratificação de Difícil Acesso (GDA): 3% do piso nacional para docentes que atuam em áreas rurais ou de difícil acesso.

  • Gratificação de Incentivo Profissional (GIP): bônus de 10% para especialização, 25% para mestrado e 30% para doutorado — atualmente, o plano permite até 50% de acréscimo.

O projeto também estabelece afastamento remunerado de 50% para professores que realizarem mestrado (por até dois anos) ou doutorado (por até quatro anos), desde que em áreas pedagógicas de interesse do município. A progressão horizontal, com reajuste a cada três anos e 10 níveis salariais, também é mantida.

Sintet critica redução de direitos

Apesar das novas diretrizes, o Sintet considera que o texto representa um retrocesso. Para a entidade, a proposta reduz benefícios conquistados em planos anteriores e desestimula o aperfeiçoamento dos profissionais da educação.

Enquanto isso, o impasse continua sem previsão de acordo. Professores seguem mobilizados na Câmara e aguardam abertura de diálogo entre a Prefeitura e o sindicato para tentar construir uma nova proposta que atenda às demandas da categoria.