Sexta-feira, 2 de janeiro de 2026
Economia

Bens apreendidos de influenciadora investigada por lavagem de dinheiro irão a leilão judicial

Decisão busca preservar valor econômico de veículos, imóveis e outros ativos ligados à Operação Fraus enquanto ação penal segue em andamento

A Justiça do Tocantins autorizou, nesta sexta-feira (12), a realização de leilão judicial de veículos de luxo e outros bens de alto valor apreendidos no curso da investigação que tem como alvo a influenciadora digital Maria Karollyny Campos Ferreira, conhecida como Karol Digital. Ela é suspeita de envolvimento em crimes de lavagem de dinheiro, organização criminosa e exploração ilegal de jogos de azar.

A decisão foi proferida pelo juízo da Comarca de Araguaína, no norte do Estado, e atendeu a pedido fundamentado a partir das investigações conduzidas pela Polícia Civil, por meio da 1ª Delegacia Especializada em Investigações Criminais (1ª DEIC – Palmas). Conforme o entendimento judicial, a alienação antecipada dos bens é necessária para evitar a deterioração e a desvalorização do patrimônio apreendido, preservando o valor econômico até o desfecho do processo penal.

A autorização contempla a venda, por meio de leilão judicial, de veículos de alto padrão, maquinário agrícola, equipamentos eletrônicos, joias, semoventes e outros ativos apreendidos durante a Operação Fraus. Entre os bens estão uma McLaren Artura, avaliada em aproximadamente R$ 3 milhões, e um Porsche estimado em cerca de R$ 979 mil, além de outros veículos considerados de luxo.

Segundo os autos, a medida foi adotada após análise de relatórios técnicos que apontaram riscos concretos de depreciação acelerada, deterioração e obsolescência dos bens mantidos sob custódia do Estado. As informações destacam, ainda, as dificuldades de manutenção e o tempo de tramitação natural de ações penais complexas, fatores que poderiam comprometer o valor dos ativos.

As investigações indicam que a influenciadora utilizava sua visibilidade nas redes sociais para ostentar um padrão de vida incompatível com a renda formal declarada, ao mesmo tempo em que movimentava valores expressivos por meio de empresas e pessoas interpostas. De acordo com a Polícia Civil, os bens apreendidos seriam resultado ou instrumento de atividades ilícitas.

Relatórios do Núcleo de Recuperação de Ativos da Polícia Civil (NURAT) reforçaram que a manutenção prolongada dos bens em depósitos públicos poderia gerar prejuízo ao interesse público, com risco de perda significativa de valor. Com base nesses elementos, o delegado titular da 1ª DEIC, Wanderson Queiroz, solicitou a reconsideração de uma decisão anterior que havia negado a alienação antecipada, pedido que foi acolhido pelo Judiciário.

Ao autorizar o leilão, o magistrado destacou que a medida está amparada na legislação processual penal e na Lei de Lavagem de Dinheiro, que prevê a alienação antecipada como instrumento cautelar, distinto do perdimento definitivo de bens, que somente ocorre após condenação transitada em julgado. O juiz também ressaltou os princípios da eficiência, economicidade e proteção do patrimônio público.

A Secretaria de Segurança Pública do Tocantins informou que os valores arrecadados com o leilão permanecerão depositados em conta judicial até a conclusão da ação penal. Em caso de condenação definitiva, os recursos poderão ser revertidos em favor do Estado, conforme determinação judicial.

Investigação milionária

Karol Digital é investigada por suposto envolvimento com plataformas ilegais de jogos de azar e pela movimentação de aproximadamente R$ 217,6 milhões entre 2019 e 2024. Segundo a Polícia Civil, os valores teriam transitado por cerca de 30 contas bancárias distribuídas em 13 instituições financeiras. Apenas em depósitos pessoais, a investigada teria recebido mais de R$ 37 milhões oriundos de plataformas consideradas ilegais.

Durante a operação, foram apreendidos sete veículos de luxo, sete imóveis — incluindo um imóvel conhecido como “Mansão da Digital”, utilizado para gravações — além de uma fazenda avaliada em cerca de R$ 8 milhões, com criação de bovinos e cavalos.

Prisão e andamento do caso

A influenciadora foi presa em 22 de agosto, em Araguaína, durante a deflagração da Operação Fraus, juntamente com o namorado, Dhemerson Rezende Costa, em um condomínio de alto padrão. Ambos são investigados por crimes relacionados à exploração ilegal de jogos de azar, associação criminosa, lavagem de dinheiro e crimes contra a economia popular.

Karol Digital permaneceu custodiada na Unidade Penal Feminina de Ananás até o dia 28 de novembro, quando obteve prisão domiciliar por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O companheiro foi encaminhado à Casa de Prisão Provisória de Araguaína.

De acordo com a Polícia Civil, a influenciadora simulava ganhos em apostas para induzir seguidores a utilizarem plataformas ilegais. Conversas apreendidas durante a investigação indicam que ela cobrava valores que chegavam a R$ 30 mil para divulgar sites de jogos, apesar de negar publicamente vínculos contratuais com essas empresas.

Com a autorização judicial, todos os bens apreendidos passarão por avaliação oficial e serão levados a leilão, enquanto os recursos permanecerão à disposição da Justiça até a conclusão do processo.