Um levantamento interno realizado pelo Instituto Saúde e Cidadania (ISAC) revelou que, apenas no mês de setembro deste ano, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Anatólio Dias Carneiro, em Araguaína, alcançou o limite máximo de atendimentos previstos pela sua capacidade técnica: 9 mil pacientes. O número exato registrado foi de 9.006 acolhimentos — e o dado que mais chama atenção é que quase metade deles, 47%, correspondeu a casos de baixa complexidade, que poderiam ser resolvidos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) da cidade.
Segundo o diretor técnico da UPA, Dr. João Paulo Suleiman, 4.241 atendimentos foram classificados com pulseira verde, o que significa pouca urgência. “O comportamento de procurar a UPA em quadros leves, muitas vezes, faz com que o paciente espere mais tempo pelo atendimento e acabe sobrecarregando o serviço para os casos realmente graves”, explica.
UPA ampliada para atender mais, mas uso ainda indevido sobrecarrega o sistema
Em 2023, a unidade passou por uma reestruturação e ampliação, passando de Porte I para Porte II, conforme especificações do Ministério da Saúde. Com isso, a UPA de Araguaína se tornou compatível com o número de habitantes do município. A mudança trouxe melhorias na capacidade técnica e estrutural, mas, segundo o diretor, o desafio agora é cultural: “A população ainda enxerga a UPA como um espaço para qualquer tipo de atendimento, quando na verdade ela é voltada para urgências e emergências”, destaca Suleiman.
Quando procurar a UBS e quando procurar a UPA
O médico reforça que a principal diferença entre as unidades está na complexidade dos casos.
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A UBS é voltada para atendimentos de rotina e acompanhamento contínuo, como consultas médicas, pré-natal, vacinação, curativos, troca de receitas e tratamento de doenças crônicas (como hipertensão e diabetes). Também deve ser procurada em situações de sintomas leves — febre baixa, dores de cabeça, resfriados e pequenas indisposições.
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Já a UPA é destinada aos casos graves e de urgência, como febre alta (acima de 39°C), falta de ar intensa, dores fortes no peito, acidentes, fraturas, cortes profundos, derrames e infartos.
Mesmo assim, o diretor garante que nenhum paciente é recusado: “A equipe da UPA jamais deixa de atender. Todos passam pela triagem e são acolhidos conforme a Classificação de Risco”, explica.
Cores das pulseiras e o que cada uma significa
Todo paciente que chega à UPA é avaliado pela equipe de triagem, que define a prioridade de atendimento de acordo com os sintomas e sinais vitais. O sistema de Classificação de Risco é baseado em cores, seguindo diretrizes do Ministério da Saúde:
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Vermelha (Emergência): atendimento imediato para risco de morte (infarto, parada cardiorrespiratória, convulsões, politrauma).
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Laranja (Muito Urgente): atendimento em até 10 minutos para casos graves como envenenamento, agitação extrema, dor intensa e saturação de oxigênio baixa.
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Amarela (Urgente): atendimento em até 60 minutos para risco moderado, como dor persistente ou vômitos constantes.
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Verde (Pouco Urgente): casos leves, com espera de até 120 minutos, podendo ser resolvidos em UBS.
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Azul (Não Urgente): situações de rotina, como troca de receita e revisões médicas, com espera de até 240 minutos.
Informação que salva tempo e melhora o atendimento
Segundo o Dr. Suleiman, a informação é uma das principais aliadas da população para que o sistema de saúde funcione com mais eficiência. “Quando o cidadão entende o que cada serviço oferece, ele pode escolher melhor onde buscar atendimento, economizando tempo e ajudando a manter o fluxo ideal da rede”, conclui.
A UPA Anatólio Dias Carneiro é gerida pelo ISAC, em parceria com a Prefeitura de Araguaína, e integra a rede municipal de saúde, que também conta com mais de 20 Unidades Básicas distribuídas pelos bairros da cidade.

