
Um produtor de marketing e youtuber de 33 anos residente em Augustinópolis foi condenado a 10 anos, 7 meses e 15 dias de prisão, inicialmente em regime fechado, pelo estupro de um garoto diagnosticado com transtorno neurobiológico de hiperatividade (TDAH) quando a vÃtima ? hoje com 19 anos-, estava com 12 anos de idade.
Conforme o processo, em 2022 a vÃtima contou ao pai durante uma conversa, que entre os anos de 2017 e 2018 havia sido abusada pelo réu, após ter sido levado junto com outras crianças para jogar videogame em um estúdio montado na casa do youtuber.
Em depoimento especial, a vÃtima confirmou abusos no estúdio, um local com computadores e decorado com sofá e almofadas, em que a criança relatou ter sido atacada pela primeira vez. Ela também afirmou outras tentativas de estupro dentro da própria casa, que o réu frequentava pela relação de proximidade com a famÃlia da vÃtima.
O juiz Alan Ide Ribeiro da Silva, que assina a sentença, concedeu ao réu o direito de recorrer da condenação em liberdade. Conforme a decisão, não houve nenhum pedido de prisão preventiva ao longo do processo e o réu se encontra solto, como fundamenta o juiz na decisão desta terça-feira (14/5).
Ao ser interrogado pelo juiz, o réu negou ser autor do crime e afirmou que a vÃtima agiu sob pressão dos pais, que haviam comprado um lote do réu e não pagou o imóvel. Segundo a defesa, após fazer a cobrança do lote, o pai da vÃtima ficou alterado e ele parou de frequentar a casa da famÃlia, local que só teria passado a visitar em 2019.
Ao analisar o caso, o juiz considerou o depoimento da vÃtima, tido como ?claro e coeso? somado a outras provas produzidas, incluindo depoimento de testemunhas da relação do réu com a famÃlia da vÃtima para acolher a denúncia de forma integral. ?Restou claro nos autos os atos libidinosos diversos da conjunção carnal praticados pelo acusado em face da vÃtima, quando esta era menor de 14 anos de idade?, afirma Alan Ide.
Para o juiz, a investigação apurou que o réu convidou a vÃtima para ir à residência dele jogar videogame e se aproveitou da vulnerabilidade e dos problemas psicológicos da vÃtima para cometer os atos.
Na sentença, o juiz afirma que o acusado ameaçou a vÃtima ao dizer que se contasse para os pais, apanharia e seria ridicularizado. Também declarou para a vÃtima que se fosse preso sairia rápido porque ?possui dinheiro?.
O juiz também afirma que o réu tentou imputar o caso ?a um factoide? que teria sido criado pelo pai da vÃtima sobre a suposta compra do imóvel. O juiz ressalta que esta transação não ficou comprovada pela defesa do réu.
O réu pode recorrer da condenação ao Tribunal de Justiça.

