Domingo, 11 de janeiro de 2026
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PF investiga assessor da PGR suspeito de vazar informações de operações no Tocantins

PF investiga assessor da PGR suspeito de vazar informações de operações no Tocantins
PF investiga assessor da PGR suspeito de vazar informações de operações no Tocantins

A Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão em endereços de Felipe Alexandre Wagner, assessor da Procuradoria-Geral da República (PGR), suspeito de repassar informações sigilosas de processos criminais para investigados. A informação foi revelada pela revista Piauí e confirmada em decisões do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator da Operação Sisamnes ? que apura supostas vendas de decisões judiciais.

Diálogo expôs ligação com Tocantins

Segundo a Piauí, o nome de Wagner apareceu em um diálogo interceptado entre o prefeito de Palmas, José Eduardo de Siqueira Campos (Podemos), e Thiago Barbosa de Carvalho, sobrinho do governador afastado Wanderlei Barbosa (Republicanos). A conversa, gravada em 26 de junho de 2024, tratava de supostos vazamentos das operações Fames-19 e Maximus, ambas em tramitação no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

No diálogo, Eduardo Siqueira Campos afirma a Thiago que sua situação era mais grave do que pensava, pois já era alvo formal de investigação. Ele menciona um contato em Brasília, chamado ?Felipe?, responsável por elaborar ?pareceres?, e o descreve como ?o cara que vai escrever as coisas para a própria menina que deu esse parecer para o gabinete?. Até agora, não está claro a quem ele se referia como ?a menina? nem o que mais a PF conseguiu levantar a partir dessa pista.

Buscas e possível exoneração

De acordo com fontes citadas pela Piauí, durante as diligências a PF apreendeu o celular e o notebook de Wagner. O assessor ocupava um cargo comissionado (CC-4) na PGR, mas, segundo a mesma publicação, já foi exonerado. A decisão, contudo, ainda não consta no Diário Oficial da União.

Operação Sisamnes

Deflagrada sob supervisão do STF, a operação já havia atingido desembargadores, advogados e lobistas suspeitos de intermediar decisões judiciais. A inclusão de um assessor da PGR no rol de investigados amplia o alcance do caso e levanta dúvidas sobre a extensão da rede de vazamentos, que pode ter ultrapassado o Judiciário e alcançado o próprio órgão responsável pelas investigações.

Repercussão

A Procuradoria-Geral da República não se manifestou oficialmente até a publicação desta reportagem. O vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand, responsável por conduzir inquéritos que envolvem autoridades tocantinenses, afirmou à Piauí que não poderia comentar por se tratar de caso sob sigilo judicial:

?Não posso comentar. A lei me proíbe.?

Felipe Wagner não foi localizado pela reportagem.