Sexta-feira, 9 de janeiro de 2026
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Padre do Tocantins é condenado a oito anos por estupro e cárcere privado contra jovem que queria ser seminarista

Decisão em segunda instância reconhece crimes praticados em Palmas; réu poderá recorrer em liberdade

Padre do Tocantins é condenado a oito anos por estupro e cárcere privado contra jovem que queria ser seminarista
Padre do Tocantins é condenado a oito anos por estupro e cárcere privado contra jovem que queria ser seminarista

O padre Marcos Aurélio Costa da Silva foi condenado a oito anos de reclusão pelos crimes de estupro e cárcere privado com finalidade libidinosa contra um jovem de 18 anos atraído de Pernambuco para Palmas. A sentença é de segunda instância e reformou a decisão de primeiro grau, que havia absolvido o réu.


Segundo o processo, Marcos Aurélio convenceu a vítima a viajar ao Tocantins em 2019 prometendo auxiliá-lo a ingressar em um seminário católico. Ele afirmou que enviaria uma carta de recomendação vocacional, mas que o documento precisaria ser assinado de próprio punho, justificativa usada para trazer o jovem até Palmas.

Na época, investigação apontou que o padre mantinha comunicação virtual com o jovem, solicitando fotos, pedindo massagens e informando que dividiriam o mesmo quarto, alegando que isso faria parte da adaptação à vida missionária.

O crime ocorreu em agosto de 2019. De acordo com a denúncia, ao chegar à casa de Marcos Aurélio, a vítima foi submetida a consumo de bebidas alcoólicas, violência sexual e mantida em cárcere privado. O jovem conseguiu fugir quando o réu esqueceu a chave na porta e procurou a delegacia em estado de fragilidade emocional, sem documentos e visivelmente abalado.

A desembargadora Ângela Haonat acolheu o recurso do Ministério Público do Tocantins, que contestou a absolvição em primeiro grau. O MP destacou que o relato da vítima foi corroborado por testemunhos, laudos técnicos, impactos psicológicos e pelo histórico de condutas semelhantes atribuídas ao réu. Em 2015, quando atuava como padre em Peixe, Marcos Aurélio chegou a ser preso suspeito de mostrar material pornográfico a um adolescente de 16 anos.

A nova decisão condenou o padre a oito anos de reclusão em regime inicial semiaberto, além de manter o direito de recorrer em liberdade.

A defesa de Marcos Aurélio informou que, como houve voto divergente no julgamento, apresentou embargos infringentes e aguarda decisão. O RTO pediu posição da Diocese de Porto Nacional, à qual o réu era ligado, e aguarda resposta. A Diocese havia informado anteriormente que ele estava suspenso das atividades desde 2018.

Com a condenação em segunda instância, o processo segue aguardando o julgamento dos recursos apresentados pela defesa. Entretanto, a decisão reconhece os crimes praticados e reformula o entendimento da primeira instância, atendendo ao pedido do Ministério Público.

*Com informações do G1