
No Tocantins, a lei tem som. O som do silêncio que ela deveria impor aos fogos de estampido e o som ensurdecedor da indiferença de quem a ignora. A Lei Estadual nº 4.133, em vigor desde 2023, é um marco civilizatório no papel, mas letra morta na prática. A recente comemoração pelo tÃtulo do Flamengo foi apenas o eco mais recente de um problema crônico, que explode em todas as épocas do ano.
A verdade é que o desrespeito virou tradição. Ele se manifesta nas festas juninas, nos eventos polÃticos, nas celebrações de outras torcidas e até no simples prazer de fazer barulho. Uma cultura da ilegalidade que escolhe a própria conveniência em detrimento do bem-estar coletivo, tratando a lei como uma mera sugestão.
Para cada rojão que sobe, há uma criança autista em crise sensorial, um idoso aterrorizado, um animal em pânico. A nossa festa é a tortura deles. Uma equação cruel que a sociedade se recusa a resolver, normalizando o sofrimento em nome de uma celebração egoÃsta e barulhenta.
Até quando vamos tratar a empatia como um item opcional? A questão não é ser contra a comemoração, mas a favor da civilidade. Não é sobre um time ou uma data especÃfica, mas sobre o direito fundamental à paz. A fiscalização é um dever do Estado, mas a consciência é uma obrigação de cada cidadão.
E este jornalista, que já celebrou muitas vitórias, hoje se envergonha. Porque a maior derrota é ver a nossa alegria custar a paz de quem é mais vulnerável.

