
Faleceu na última terça-feira (14), aos 63 anos, o criador Ricardo Abate Filho, um dos principais nomes da asinocultura brasileira. Reconhecido como um dos maiores expoentes da raça Jumento Pêga no paÃs, ele deixa um legado que ultrapassa as pistas e repercute no fortalecimento genético e cultural dessa raça tipicamente brasileira.
Natural de Minas Gerais e radicado em AraguaÃna, no Tocantins, Abate Filho era criador do Haras RAF, sigla que se tornou sinônimo de excelência na seleção de jumentos. Seu trabalho à frente da linhagem RAF influenciou diretamente o padrão zootécnico da raça, com animais de alto desempenho funcional e morfológico, usados tanto na reprodução quanto na formação de mulas campeãs ? muito valorizadas no mercado agropecuário.
Com uma trajetória de décadas dedicada à criação de asininos, Ricardo Abate participou ativamente de feiras, exposições e eventos técnicos, sendo também um dos incentivadores da valorização do Jumento Pêga em nÃvel nacional e internacional. Ao longo de sua vida, atuou como colaborador ativo da Associação Brasileira dos Criadores de Jumento Pêga (ABCJPêga), onde era considerado uma referência por criadores iniciantes e veteranos.
Em nota oficial, a ABCJPêga lamentou a perda:
?Seu legado, dedicação e paixão deixarão marcas eternas na história da criação nacional, se eternizando a linhagem RAF na FamÃlia ABATE. Ricardo era mais que um criador: era um mestre, inspiração e sÃmbolo de paixão pela raça Pêga.?
Um defensor da raça Pêga
O Jumento Pêga, originário de Minas Gerais, é uma raça brasileira conhecida por sua rusticidade, inteligência e docilidade. Utilizado desde o século XIX na formação de mulas marchadoras ? ideais para regiões acidentadas ?, o animal passou a ter papel de destaque também em eventos de exposição e em programas de melhoramento genético.
Ricardo Abate Filho foi peça-chave nessa valorização. Com olhar técnico e paixão declarada pela marcha, dedicou esforços à seleção de animais com equilÃbrio estrutural, temperamento dócil e forte expressão racial. Produziu inúmeros campeões e ajudou a posicionar o Pêga em um novo patamar dentro da equinocultura nacional.
Legado
A morte de Ricardo Abate Filho representa uma grande perda para o agronegócio brasileiro, especialmente para o segmento da asinocultura. Seu trabalho continua vivo nas pistas e nos campos, por meio dos animais RAF espalhados pelo paÃs ? uma linhagem que carrega não apenas genética de ponta, mas a história de um homem que fez da criação de jumentos sua missão de vida.
Familiares, amigos e toda a comunidade agropecuária prestam homenagens neste momento de luto. Em comum, o reconhecimento a um criador que marcou seu tempo, deu visibilidade a uma raça brasileira e deixou um exemplo de dedicação e excelência que seguirá inspirando futuras gerações.

