Terça-feira, 13 de janeiro de 2026
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Militares suspeitos de envolvimento no desaparecimento de estudante viram réus em processo

Militares suspeitos de envolvimento no desaparecimento de estudante viram réus em processo
Militares suspeitos de envolvimento no desaparecimento de estudante viram réus em processo

A Justiça aceitou nesta quinta-feira (7) a denúncia do Ministério Público Estadual (MPTO) contra os principais suspeitos de envolvimento no desaparecimento do estudante Felipe Coelho Siqueira, de 21 anos, em Paraíso do Tocantins. A promotoria defendeu que os policiais militares Felipe Augusto Lovato da Rocha e Ismael Nascimento da Conceição teriam sequestrado o jovem, assassinado e ocultado o corpo.

Felipe Coelho desapareceu no dia 1º de agosto de 2023. Ele caminhava pela Avenida Campinas, no Jardim Paulista, quando aparentemente é obrigado a entrar dentro de um carro que surge na rua. Câmeras de segurança registraram o momento. Depois disso, Felipe nunca mais foi visto.

Os dois policiais estão presos no Batalhão de Choque da Polícia Militar, em Palmas. A defesa de Ismael afirmou que está tranquila e que irá conseguir provar durante instrução processual que o cliente não teve envolvimento com o crime. Já a advogada de Felipe Augusto explicou que não foi informada da denúncia e que não há provas do envolvimento do cliente no caso.

O jovem trabalhava como ajudante de pedreiro durante o dia e cursava o último ano do ensino fundamental no período noturno. Quando desapareceu, por volta das 11h, estava indo para casa no horário de almoço.

Na denúncia do Ministério Público de terça-feira (5), assinada pelo promotor Paulo Alexandre Rodrigues de Siqueira e enviada à Vara Criminal de Paraíso, é citado, com base no inquérito da Polícia Civil, que os militares teriam revistado Felipe e o segurado pelo braço até ele ser colocado dentro do carro.

Os três teriam passado por ruas da cidade. Uma câmera de um comércio também registrou quando o carro passou em direção à zona rural de Paraíso, retornando somente pela mesma via cerca de 20 minutos depois.

?O recurso que impossibilitou ou dificultou a defesa da vítima está presente pelo fato de a vítima ter sido covardemente abordado por dois policiais militares a paisana e armados, sem que pudesse dar qualquer chance da vítima se defender?, destacou trecho da denúncia.

A investigação apontou que após matarem a vítima, os militares ocultaram o cadáver do estudante para esconder o crime.

Nesta quinta-feira, ao aceitar a denúncia, a juíza Renata do Nascimento e Silva da 1ª Vara Criminal de Paraíso, considerou que mesmo que o corpo de Felipe não tenha sido encontrado, o entendimento do Judiciário leva em conta outros tipos de provas, como a testemunhal.

*DOG1