
O governador Laurez Moreira voltou a criticar a proposta apresentada pelo governador afastado Wanderlei Barbosa que autorizava a venda de 23% da participação acionária do Tocantins na Energisa Tocantins. A declaração foi feita durante reunião com gestores e representantes de órgãos estaduais, quando Laurez avaliou que a operação representaria um dos maiores prejuÃzos financeiros já projetados para o Estado.
Segundo o governador, a venda das ações reduziria de forma significativa o patrimônio público e eliminaria uma fonte estável de receitas extras. Ele afirmou que a participação atual rende cerca de R$ 70 milhões por ano em dividendos ao governo estadual, valor que seria totalmente perdido caso a negociação fosse concluÃda.
?Era um absurdo vender 23% da Energisa. Vocês sabem quanto a Energisa dá de lucro ao Tocantins? Setenta milhões por ano. Em quatro anos, isso representa 280 milhões. E ainda ia crescer. Não tinha justificativa?, disse Laurez.
O governador também afirmou que a autorização para a venda já havia sido encaminhada, mas que interrompeu o processo após assumir o comando do Executivo. ?Já estava tudo pronto para vender, com autorização do banco. Nós não vamos vender. O Tocantins vai continuar sendo dono da Energisa.?
Durante a reunião, Laurez afirmou que a gestão anterior tratava a venda das ações como alternativa para equilibrar as contas públicas. Ele avaliou que essa medida resultaria em consequências permanentes. ?A ideia era vender porque, do contrário, não iria fechar as contas. Mas vender patrimônio estratégico para resolver problema momentâneo é irresponsabilidade.?
Corte de despesas para recuperação fiscal
Para evitar a venda de ativos públicos, o governador afirmou que implementou um plano de contenção de gastos. De acordo com ele, a administração reduziu para 33% o nÃvel de despesas consideradas rotineiras.
Entre as medidas anunciadas, Laurez citou o fim do uso de aeronaves do governo em viagens sem necessidade. ?Se você entrar lá, percebe: ninguém está viajando de avião. Só o extremamente necessário.? Ele também mencionou a redução de 30% da frota de veÃculos, queda no consumo de combustÃveis com revisão de rotas e restrição de deslocamentos, além da suspensão de viagens internacionais. ?Não vejo necessidade nenhuma. Não farei tão cedo.?
O governo também revisou contratos e eliminou gastos administrativos considerados supérfluos. Segundo Laurez, o foco é assegurar responsabilidade no uso dos recursos públicos. ?É um patrimônio que ajuda o Estado. Podemos influenciar ações da empresa para investir onde mais precisa. Vender seria abrir mão de algo que fortalece nossa economia.?
Estado seguirá como acionista
O governador reiterou que manter o Tocantins como sócio da Energisa garante retorno financeiro e capacidade de articulação para investimentos em regiões menos desenvolvidas. Ele afirmou que a prioridade é equilibrar as contas sem comprometer ativos estratégicos.
?Estamos zelando cada centavo. Vamos equilibrar as contas com gestão, não vendendo o que pertence ao povo tocantinense?, concluiu.

