
A juÃza Milene de Carvalho Henrique, da Vara de Execuções Fiscais e Ações de Saúde Pública da Comarca de AraguaÃna concedeu o direito à isenção do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para a aquisição de automóvel a um homem com deficiência auditiva bilateral.Â
O Mandado de Segurança impetrado pelo homem, de 34 anos, questionava a negativa do benefÃcio fiscal por parte da Secretaria da Fazenda do Estado do Tocantins (Sefaz) no ano passado, quando ele tentou comprar um automóvel adaptado, a fim de melhorar a sua locomoção e qualidade de vida.
Na primeira decisão provisória sobre o caso, a juÃza havia indeferido o pedido liminar. Nesta segunda-feira (24/3), ao decidir o mérito da ação, a juÃza modificou seu entendimento inicial, ao apontar que a omissão na legislação tributária em conceder o benefÃcio a pessoas com deficiência auditiva viola princÃpios constitucionais fundamentais.
A magistrada ressalta que normas brasileiras sobre esta forma de dispensa do imposto- como o artigo 3º, do Decreto n.º 2.912/2006, a cláusula primeira do Convênio ICMS nº 38, de 2012, do Conselho Nacional de PolÃtica Fazendária (Confaz)-, consideram isentas do ICMS as compras de veÃculos apenas por pessoa ?com deficiência fÃsica, visual, mental severa ou profunda, sÃndrome de Down ou autista? e não abrange pessoas com deficiência auditiva.
Esta omissão, conforme a juÃza, impossibilita a concessão do benefÃcio a esse grupo de pessoas sob a perspectiva do Código Tributário Nacional. Segundo a juÃza, apesar do CTN prever que a isenção deve ser interpretada restritivamente, a ausência de previsão para deficientes auditivos ?configura uma afronta aos princÃpios da dignidade da pessoa humana, da isonomia e da igualdade tributária, previstos nos artigos 1º, III, 5º, caput, e 150, II, da Constituição Federal?.
A juÃza baseou a sentença ainda em um julgamento importante do Supremo Tribunal Federal (STF) na Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO), de número 30, que julgou a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para pessoas com deficiência auditiva. Milene de Carvalho Henrique aplicou o entendimento do STF por analogia, com base no artigo 4º da Lei de Introdução à s Normas do Direito Brasileiro, para garantir a isonomia e a inclusão social.
A sentença está sujeita ao duplo grau de jurisdição e deverá ser remetida ao Tribunal de Justiça do Estado do Tocantins (TJTO) para análise.

