Sexta-feira, 2 de janeiro de 2026
Plantão Policial

Homem é preso suspeito de matar jovem indígena grávida na Ilha do Bananal

Crime aconteceu durante um festejo na Aldeia Canuanã, em Formoso do Araguaia. A vítima, Harenaki Javaé, tinha deficiência intelectual e estava no início de uma gravidez.

A Polícia Civil do Tocantins prendeu temporariamente, neste sábado (13), um homem suspeito de envolvimento no assassinato da jovem indígena Harenaki Javaé, de 18 anos. O corpo da vítima foi encontrado parcialmente carbonizado próximo à Aldeia Canuanã, na zona rural de Formoso do Araguaia, região sudoeste do estado.

O crime

Harenaki, que possuía deficiência intelectual e estava no início de uma gravidez, foi localizada sem vida no dia 7 de setembro, durante um festejo na Ilha do Bananal. Ela era moradora da Aldeia São João, também localizada na região.

A Polícia Militar foi acionada por uma enfermeira e encontrou o corpo da jovem. Segundo testemunhas, o suspeito preso teria sido visto pela última vez com Harenaki e já havia histórico de ameaças e agressões.

A investigação

Durante a prisão, os policiais recolheram vestígios genéticos na casa do investigado, que serão submetidos à perícia. O homem foi levado a Gurupi, onde passou por exames de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) e segue à disposição da Justiça.

A ação foi conduzida por uma força-tarefa envolvendo a 84ª Delegacia de Polícia de Formoso do Araguaia e a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Gurupi.

Prisão anterior

Um outro suspeito chegou a ser detido em 8 de setembro, mas foi liberado por falta de provas. Na ocasião, a Secretaria da Segurança Pública informou apenas que o caso corria em sigilo.

Repercussão

O crime gerou forte indignação. O Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI), a Articulação dos Povos Indígenas do Tocantins (ARPIT) e o Instituto de Caciques e Povos Indígenas da Ilha do Bananal (Icapib) emitiram notas de repúdio.

O Icapib classificou o caso como um feminicídio brutal:

“O feminicídio que tirou a vida de Harenaki é inadmissível e não pode ser normalizado. A jovem, que possuía problemas mentais e tinha a mentalidade de uma criança, não compreendia a realidade da vida como nós. Foi um ato de violência bárbaro e covarde contra alguém indefesa, que nunca deveria ter acontecido.”

Próximos passos

O inquérito policial segue em andamento para reunir provas e esclarecer todos os detalhes da morte de Harenaki. O caso será encaminhado ao Ministério Público e ao Poder Judiciário para as medidas legais cabíveis.