Quarta-feira, 7 de janeiro de 2026
Política

Coletivo SOMOS critica nomeação de Marcos Duarte para secretaria no governo do Tocantins

Coletivo SOMOS critica nomeação de Marcos Duarte para secretaria no governo do Tocantins
Coletivo SOMOS critica nomeação de Marcos Duarte para secretaria no governo do Tocantins

O anúncio da nomeação do vereador de Araguaína Marcos Duarte (PSD) para comandar a Secretaria de Estado da Administração (Secad) do Tocantins provocou reação imediata do movimento Coletivo SOMOS, que divulgou nesta segunda-feira (22) uma nota de repúdio à escolha feita pelo governador em exercício Laurez Moreira (PSD). A decisão foi oficializada no Diário Oficial do Estado.

Na manifestação, o grupo afirma que não se pode ?naturalizar que figuras públicas com histórico de falas racistas, homofóbicas e discriminatórias sejam premiadas com cargos de destaque no poder público?. Para o movimento, a nomeação representa ?um grave retrocesso? e compromete a imagem de uma gestão que, segundo eles, deveria zelar pela igualdade e valorização da diversidade.

Histórico de polêmicas

O Coletivo lembrou episódios que envolvem Marcos Duarte, incluindo denúncias formais apresentadas ao Ministério Público do Tocantins (MPTO). Uma das situações citadas ocorreu quando o parlamentar, então presidente da Câmara de Araguaína, referiu-se ao vereador Soldado Alcivan como um ?negro de alma branca, um negro bom? durante sessão legislativa. A fala repercutiu de forma negativa, gerou denúncia do MP e levou Duarte a firmar um acordo judicial que o obrigou a se retratar publicamente e a elaborar um Plano Municipal de Promoção à Igualdade Racial.

A 6ª Promotoria de Justiça de Araguaína, em manifestação sobre o caso, destacou que ?os atos praticados pelos vereadores, ao se utilizarem de suas posições públicas para emitir opiniões que incitam a discriminação, caracterizam desvio de finalidade em sua atuação parlamentar, comprometendo a função pública para a qual foram investidos?.

Conflito judicial

Segundo o SOMOS, antes da judicialização, o Ministério Público chegou a propor um acordo que previa retratação pública e reparação de danos morais, mas Duarte teria se recusado. ?A negativa demonstra uma postura clara de intolerância frente à diversidade, com nítido desrespeito ao princípio fundamental da dignidade humana consagrada na Constituição Federal de 1988. Mesmo diante da possibilidade de corrigir suas atitudes, os vereadores ratificaram a exclusão de um grupo social já historicamente vulnerável?, diz trecho da ação citada pelo coletivo.

Em declarações anteriores à imprensa, Duarte rechaçou as críticas e afirmou que não faria retratação. ?Não irei fazer retratação nem muito menos remover material, pois a minha fala em questão não vislumbra nenhum ato homofóbico?, declarou.

Mensagem preocupante

Para o Coletivo SOMOS, a nomeação envia ?à sociedade a mensagem equivocada de que práticas discriminatórias podem ser recompensadas com posições de poder?. A entidade concluiu reafirmando seu compromisso de seguir na defesa da diversidade, igualdade e direitos humanos, atuando ?lado a lado com quem acredita em uma sociedade justa e plural?.